Uninassau promove evento sobre Violência contra a Mulher

O Núcleo de Prática Jurídica da Faculdade Uninassau, localizada em Boa Viagem, realizou um evento significativo na manhã desta quarta-feira (30), intitulado “Quebrando o Silêncio: Desafios e Caminhos na luta da Violência contra a Mulher”. A iniciativa reuniu uma audiência majoritariamente composta por estudantes do curso de Direito da instituição. Os debates foram conduzidos por…

O Núcleo de Prática Jurídica da Faculdade Uninassau, localizada em Boa Viagem, realizou um evento significativo na manhã desta quarta-feira (30), intitulado “Quebrando o Silêncio: Desafios e Caminhos na luta da Violência contra a Mulher”. A iniciativa reuniu uma audiência majoritariamente composta por estudantes do curso de Direito da instituição.

Os debates foram conduzidos por renomados profissionais da área. A advogada Isabela Pequeno, Maria do Carmo, representante do Centro de Referência Maristela Just e o delegado de polícia Victor Leite foram os principais palestrantes. A programação abordou diversos tópicos cruciais relacionados à violência contra a mulher e suas diversas manifestações.

Adriana do Carmo iniciou as discussões da manhã. Ela dividiu sua palestra em tópicoso abrangentes que abordaram desde a identificação da violência até orientações sobre como as mulheres podem reagir a situações abusivas.

Com exemplos concretos, Adriana destacou sinais de alerta em diferentes contextos, como diminuição da autoestima, mentiras, invasões de privacidade e culpar a vítima, fornecendo diretrizes para lidar com cada um desses cenários.

O delegado de polícia Victor Leite trouxe uma análise profunda do comportamento humano em relação à violência contra a mulher. Ele destacou que, frequentemente, as vítimas hesitam em denunciar devido à vergonha e ao medo de exposição. Observou-se que em áreas periféricas, o número de denúncias é maior, sugerindo que a disposição para expor situações abusivas pode ser influenciada pelo ambiente socioeconômico.

Victor Leite também abordou crenças limitantes que podem impedir a denúncia, como crianças que crescem temendo revelar abusos por parte de familiares próximos. Ele compartilhou insights do escritor Augusto Cury sobre a importância de quebrar o silêncio nessas circunstâncias.

O delegado ressaltou a necessidade de a vítima visualizar um futuro melhor e recuperar a autoestima para se libertar do ciclo de violência. Ele destacou os desafios financeiros que muitas vezes tornam a decisão de sair de um relacionamento abusivo ainda mais complexa.

A advogada Isabela Pequeno iniciou sua palestra compartilhando um relato pessoal profundamente comovente. Ela expôs sua própria vivência no campo da violência contra a mulher, revelando que ela própria enfrentou os níveis mais cruéis dessa realidade. Isabela sofreu inúmeras formas de violência, incluindo ameaças de seu ex-companheiro, que chegou a apontar uma arma contra ela. A situação chegou a um ponto insustentável, levando-a a tomar a decisão corajosa de sair de casa.

Durante sua narrativa, Isabela destacou que, durante muito tempo, foi uma mulher obediente e submissa, o que a impediu de buscar ajuda e se expor. Isabela também mencionou como seu ex-marido a mantinha em uma situação de dependência extrema, limitando inclusive o seu acesso a um cartão de crédito.

Isabela enfatizou que enfrentou todos os cinco tipos de violência contra a mulher e, ao final de um casamento abusivo, se viu sem praticamente nada. Ela admitiu que inicialmente tinha um código de conduta que a impedia de considerar denunciar o pai de seus filhos. Sua história envolveu um casamento aos 31 anos, dentro de um contexto religioso, em uma família evangélica.

A palestra de Isabela Pequeno trouxe uma dimensão pessoal poderosa ao evento, ilustrando os desafios enfrentados por tantas mulheres e reforçando a importância de se manifestar contra a violência de gênero.

O evento se mostrou extremamente produtivo, com espaço aberto para perguntas e comentários dos estudantes após cada palestra. A iniciativa contribuiu para disseminar conhecimento compartilhar histórias e estimular a conscientização sobre um problema social crítico, forcfnecendo orientações práticas para enfrentar essa realidade alarmante.

Fotos: Divulgação

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